Estudo dirigido sobre VISCEROCRÂNIO

(tenha à mão o livro Anatomia Facial com Fundamentos de Anatomia Geral, 3 ª edição)

O estudo dirigido sobre o viscerocrânio representa um estudo adicional que propõe nova maneira de entender ou de recordar um assunto que já foi estudado, neste caso, os maxilares e ossos adjacentes.
Escolhemos uma técnica de estudo dirigido, individual (também pode ser grupal), que deve ser realizada com muita reflexão e espírito crítico. Ela desafiará seu talento criador, desenvolvendo, ao mesmo tempo, sua capacidade analítica e de interpretação e integração de idéias.
Procure desenvolver este estudo com o livro e com um crânio à mão , se for possível. Se não for possível realizar este estudo dirigido com o auxílio de um crânio, a palpabilidade dos acidentes anatômicos deve ser feita no crânio e no vivente (em você próprio). Aprende-se com todos os sentidos, e o tato é um deles.

Estude, leia atentamente e digite no espaço em branco a palavra correspondente. Depois passe o cursos sobre o sinal de interrogação (?) para conferir sua resposta.

Inicie tateando o ádito da órbita e detenha-se na margem infra-orbital, que é a que mais interessa. Passe um dedo ao longo dela e perceba como é aguda. Seu tato vai acusar uma saliência, que é a sutura ?zigomático-maxilar Esta é a primeira pergunta. Outras virão. Responda-as buscando respaldo nos textos do livro, a partir da página 21 e suas figuras.

Note que o forame ?infra-orbital está situado a alguns milímetros abaixo dessa sutura. Em si próprio não conseguirá palpar esse forame porque ele é coberto pelo músculo ?levantador do lábio superior, o qual se origina logo abaixo da margem infra-orbital. Mas conseguirá identificar em si toda a margem e até mesmo a sutura. Desloque o dedo medialmente e encontrará o osso ?nasal. Aproveite para explorar e reconhecer áreas adjacentes a ele. Deslocando o dedo lateralmente irá encontrar o corpo do osso ?zigomático e, a partir dele, verifique nas figuras 2-3, 2-8 e 2-11 seus três processos, principalmente o processo ?temporal, que corresponde à metade do arco zigomático. Corra o dedo pela borda inferior do zigomático , no crânio e em si . Perceberá irregularidades, resultado de aposição óssea não uniforme que ocorre devido à tração do músculo masseter, o qual tem origem nesse local. Localize melhor esse músculo em você, ativando-o com movimentos sucessivos de oclusão forçada. Deslize os dedos sobre o músculo e perceba que ele chega ao ramo da mandíbula, onde se insere. Continue descendo a até o ângulo da mandíbula e sinta umas proeminências ósseas irregularmente distribuídas, cujo conjunto é chamado ?tuberosidade massetérica. Assim, você entendeu que o osso provê os locais de inserção muscular: um deles é fixo e a partir dele, o músculo se contrai; o outro é móvel porque a contração muscular provoca o movimento do osso, neste caso a mandíbula.

Voltando para o corpo do zigomático, vá deslizando os dedos até alcançar o primeiro molar superior. No crânio, você estaria apalpando uma eminência linear, que é a ?crista zigomático-alveolar, importante reparo ósseo nas anestesias dos dentes molares superiores. Em você, faça tentativas extra e intrabucais para localizar a mesma eminência óssea. Medialmente a ela será encontrada, abaixo do forame infra-orbital, uma depressão larga e rasa, a ?fossa canina, que corresponde à parede anterior do seio maxilar. No crânio é fácil de ser localizada. Nas pessoas é mais difícil, porque essa fossa contém o músculo levantador do ângulo da boca o qual se origina e se insere no ponto de união dos lábios.

Descendo um pouco, encontrará uma série de elevações que corresponde às raízes dos dentes. São as ?eminências alveolares, das quais a mais longa e saliente é a ?eminência canina, relacionada com a transmissão de forças da mastigação à base do crânio. Elas se dispõem enfileiradas desde o incisivo central até o terceiro molar, constituindo a lâmina ?vestibular (externa) de cada ?alvéolo do processo alveolar.

Acima das eminências dos incisivos e abaixo da abertura piriforme, pode ser encontrada uma pequena depressão, a ?fóvea incisiva, local de inserção de algumas poucas fibras do músculo orbicular da boca. Acima das eminências dos molares (na base do processo alveolar) encontra-se um dos locais de origem do músculo bucinador.

Quando você estiver correndo o dedo (em si mesmo, por dentro da boca) sobre as eminências alveolares dos molares, continue mais para trás até alcançar uma superfície romba da maxila, a ?tuberosidade da maxila, que apresenta uns dois pequenos forames, nomeados ?forames alveolares, nos quais passam nervos e vasos alveolares superiores posteriores, com destino aos dentes molares e seus tecidos de suporte.
Mais atrás, a maxila se relaciona com o processo ?pterigóide do osso esfenóide. Entre ambos, há uma abertura, a fissura pterigomaxilar, porta de entrada da fossa ?pterigopalatina, onde penetra a artéria maxilar (Fig. 2-11). Dois acidentes anatômicos devem ser observados nessa área: no alto, uma passagem para a órbita, a ?fissura orbital inferior, (Fig. 2-3) por onde passam nervo e vasos infra-orbitais e em baixo, uma ponta em forma de gancho, continuação da lâmina medial do processo pterigóide, que se denomina ?hâmulo pterigóideo. (Fig. 2-16).

Nele se enlaça o músculo tensor do véu palatino, em seu curso da fossa escafóide ao palato. O músculo levantador do véu palatino vai direto de sua origem na parte petrosa do osso temporal ao palato, sem se desviar em torno de nenhum osso.

Para continuar o estudo do maxilar, se você tiver um crânio à mão vire-o de cabeça para baixo. Se não tiver continue palpando sua própria boca e vendo as figuras 2-15 e 2-16. Examine o palato ósseo, de modo visual e digital. Perceba que do processo alveolar, de incisivo a premolar, em direção ao palato, seus dedos resvalam suavemente por uma superfície recurvada, sem ângulos e sem solução de continuidade. Ao fazer o mesmo na região molar, note que a curva desaparece para dar lugar a um ângulo bem pronunciado. Neste local, procure o grande forame ?palatino maior, pelo qual transitam vasos e nervo do mesmo nome.

Continue a tocar essa área no crânio (se tiver um), mais para a frente, e sentirá umas elevações pontiagudas, que são as ?espinhas palatinas, entre as quais pode-se divisar os ?sulcos palatinos. Continuando, seu dedo é guiado para o plano mediano, onde você verá, bem à frente, a terminação do canal incisivo, que é o ?forame incisivo. Repare que ele tem uma forma de caçapa ou de funil, chamada ?fossa incisiva. O nervo que aí passa é o nasopalatino. No toque, por dentro da sua boca, não é será possível distinguir os forames sob o mucoperiósteo do palato. Na seqüência, se você acompanhar com o dedo o plano mediano, ao longo da sutura ?palatina mediana, poderá notar (algumas pessoas têm outras não) uma elevação de tamanho variável, o ?toro palatino. Seu dedo deve ter chegado bem atrás, na borda livre do palato ósseo, local onde sobressai a espinha ?nasal posterior. Nessa borda, que pertence à lâmina ?horizontal do osso ?palatino, prende-se a aponeurose palatina e nela os músculos palatinos já citados e também o palatoglosso, o palatofaríngeo e o músculo da úvula. Separando os ossos palatinos (lâminas horizontais) das maxilas (processos ?palatinos), evidencia-se a sutura ?palatina transversa.

O processo alveolar, que circunda o palato, tem um alvéolo para cada dente e a separação entre eles é feita pelo ?septo interalveolar. Dessa forma, o alvéolo tem uma parede voltada para cada dente vizinho e as duas outras paredes que são chamadas ?lâmina alveolar externa (vestibular) e ?lâmina alveolar interna (lingual). Os alvéolos de dentes multirradiculares são divididos por septos ?inter-radiculares. Se o crânio que você está manuseando é Em pessoa parcialmente desdentada ou desdentada total, apalpe o processo alveolar é cicatrizado e reabsorvido, qu e pass a a ter agora uma forma de crista, cujo termo de designação é ?rebordo alveolar residual.

Falta agora inspecionar a mandíbula (leia sobre ela nas páginas 24, 25, 31, 34, 35 e 36e examine as figuras 2-3, 2-5, 2-8, 2-10, 2-13, 2-14 e 2-20). Seu processo alveolar repete toda a anatomia do processo alveolar maxilar. Na sua base, vestibularmente e ao nível dos molares, originam-se fibras inferiores do músculo bucinador, que é o músculo da bochecha. Como a mandíbula do adulto é um osso único, ela não tem uma sutura mediana, como a sutura intermaxilar. Na linha mediana anterior, o que se vê é uma bela elevação nomeada ?protuberância mentoniana, ladeada em baixo por dois tubérculos ?mentonianos e em cima por duas ?fossas mentonianas, de onde se originam os músculos mentonianos. Abaixo do tubérculo mentoniano, já na base da mandíbula, distingue-se a ?fossa digástrica, local em que se insere o músculo digástrico, cuja origem fica no neurocrânio (incisura mastóidea).

Imaginando agora uma linha que vai do tubérculo mentoniano até a base do alvéolo do primeiro molar, você estará estabelecendo o local de origem do músculo abaixador do ângulo da boca. Continuando nessa linha, você vai encontrar, no prumo do segundo premolar, o forame ?mentoniano. Isto significa que o conteúdo do forame (nervo e vasos mentonianos) é recoberto nesse ponto pelo músculo acima mencionado.

A partir do forame, vá deslizando o dedo para trás e para cima até tatear toda a extensão da linha ?oblíqua. Continuando a tatear, você alcança a ?borda anterior do ramo da mandíbula, a qual termina no processo ?coronóide, de aspecto triangular. Se você abrir a boca, palpará com mais facilidade esse processo. Em suas bordas e em sua face medial insere-se o músculo temporal, cuja origem está na fossa temporal. A inserção do músculo na face medial faz surgir uma superestrutura que do ápice do processo desce pelo ramo da mandíbula, esmaecendo aos poucos. Seu nome é ?crista temporal. Às vezes ela é tão longa que chega até o trígono ?retromolar.

Tente palpar a borda posterior do processo coronóide e a incisura ?da mandíbula, que segue (no crânio é fácil) até atingir o processo ?condilar, o qual se divide em ?cabeça e colo da mandíbula. Na cabeça (côndilo) da mandíbula você palpará facilmente o pólo lateral, principalmente se fizer movimentos de abrir e fechar a boca.

Veja o restante no crânio: o pólo medial, as cristas que partem de ambos os pólos, as duas vertentes no alto do côndilo e uma depressão na porção anterior do colo que é a ?fóvea pterigóidea, para a inserção do músculo pterigóideo lateral, depois de ter se originado na lâmina lateral do processo ?pterigóide. Essa origem é fixa; é a base para a movimentação muscular. Aí o músculo se ancora e, ao se contrair, encurtando suas fibras, traciona a área de inserção em direção à área de origem e, dessa forma, protrai a mandíbula.

Em seguida, corra o dedo pela borda posterior do ramo da mandíbula, em si próprio. Se sentir um choque, é porque você pressionou o nervo auriculotemporal. Faça uma verificação no crânio seco: a borda posterior é mais romba e mais espessa que a anterior. Na sua mandíbula, a glândula parótida dificultará a verificação desse detalhe.

Você está chegando ao ângulo da mandíbula. Lembra-se da tuberosidade massetérica que palpou no início do estudo? Pois bem, introduza o dedo por dentro (medialmente) do ângulo da mandíbula e distinga elevação semelhante. É a ?tuberosidade pterigóidea, formada em resposta à tração do músculo pterigóideo medial nesse local de sua inserção. A propósito, esse músculo, que é um elevador da mandíbula, tem origem na fossa pterigóidea (entre as lâminas do processo pterigóide; não confunda com a fóvea pterigóidea).

Mais acima, no centro da face medial do ramo da mandíbula, observe no crânio ou nas figuras do livro, principalmente a Fig. 2-20, o forame ?da mandíbula, tendo à frente a ?língula da mandíbula, local de inserção do ligamento esfenomandibular. Nesse forame entram nervo e vasos alveolares inferiores, os quais descrevem um trajeto intra-ósseo não por entre os espaços medulares e trabéculas da substância esponjosa, mas por um canal feito de substância compacta denominado ?canal da mandíbula. Antes de entrar no osso, a artéria e o nervo soltam um ramo milo-hióideo que, de início, transitam junto ao osso em uma depressão que se chama ?sulco milo-hióideo. Acima dele, próximo ao terceiro molar, sinta com os dedos a extremidade posterior de uma elevação linear (e afilada) que, à medida que avança para a frente e para baixo, vai se tornando menos saliente. É a ?linha milo-hióidea, na qual toma origem o músculo milo-hióideo, principal músculo do soalho da boca. Depois de sentir pelo tato essa linha, note abaixo dela, na região molar, uma depressão de nome ?fóvea submandibular, causada pela justaposição da glândula submandibular. Anteriormente e acima da linha, há outra depressão glandular, menos marcada, que leva o nome de ?fóvea submandibular.

Com isso, você deu a volta toda na mandíbula; termine agora no mesmo nível do plano mediano quando começou. Só que do lado de trás. Aí estão localizadas as espinhas ?mentonianas. Os dois músculos que nelas se prendem impedem sua palpação no ser vivo. Aí se originam o genioglosso, maior músculo da língua, e o gênio-hióideo, que une a mandíbula ao osso hióide.

Dois forames podem ser vistos nessa área. Dizemos “podem ser”, porque freqüentemente estão ausentes. São forames inconstantes e, portanto, não importantes. O de cima, maior, é sempre percorrido por um ramo da artéria sublingual e o de baixo, menor, é às vezes percorrido por um ramo do nervo milo-hióideo. O primeiro denomina-se forame ?lingual ou ?retromentoniano superior e o segundo, ?retromentoniano inferior.

E agora vamos ao teste final, para terminar o estudo.

Ordene a lista abaixo subindo ou descendo seus itens, de acordo com a sequência das seguintes definições:

1) conjunto de elevações ósseas decorrentes de ação muscular direta
2) local em que uma exostose chamada toro pode se formar
3) elevação linear óssea que dificulta a anestesia do primeiro molar superior
4) local de passagem (inconstante) do nervo milo-hióideo
5) constitui a parede posterior do seio maxilar
6) solda-se (fecha-se) pouco antes dos 18 anos de idade
7) local de grande pressão e transferência de forças mecânicas durante a mastigação
8) local de passagem do nervo facial
9) amplia-se com o evolver da idade e com a perda dos dentes
10) uma fossa rasa na parte anterior do colo da mandíbula






Aqui terminamos. Que tal, valeu a pena? Ao conferir as respostas, atribua a você uma nota. Atribua também uma segunda nota relativa ao esforço dispendido, à atenção dedicada e ao aproveitamento (conhecimento) obtido. Esperamos que as suas notas sejam dez e dez.

O próximo estudo dirigido “saiba mais” vai tratar dos músculos cefálicos, os quais já foram abordados, ainda que superficialmente, neste texto. Isto significa que, na seqüência do estudo, você não vai começar do zero.

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