Estudo dirigido sobre - VASOS LINFÁTICOS

(tenha à mão o livroAnatomia Facial com Fundamentos de Anatomia Geral, 3ª edição)

Para terminar a revisão do sistema circulatório, vamos dar uma repassada nos linfáticos.

O conhecimento anatômico de artérias é mais importante que o de veias e linfáticos para a realização de cirurgias, mas como base para diagnósticos, o conhecimento de linfáticos parece ser mais importante que o de artérias e veias. Os vasos linfáticos, de tão minúsculos, não podem ser vistos, a menos que tenham sido injetados, no cadáver, com técnica especial. Uma curiosidade: apesar de serem mais finos que os vasos sangüíneos, seus capilares, de linfa, são bem mais calibrosos que os capilares de sangue. Os linfonodos, estes sim, são grandes e podem ser percebidos sob a pele das pessoas. Você se recorda que nas aulas nós mostramos alguns linfonodos no cadáver e depois palpamos alguns, nos alunos, e pedimos que essa prática fosse repetida entre vocês? Em diagnóstico, isso é feito para a verificação de maior sensibilidade e aumento volumétrico. Conhecendo as vias de drenagem linfática, é feita uma relação entre os linfonodos enfartados e sua área de drenagem, que pode estar acometida de infecção, de câncer. Nesse momento, em que você começa a se preparar, com o estudo anatômico, para futuros diagnósticos e avaliações, é essencial que conheça os grupos de linfonodos e sua localização e os caminhos dos vasos linfáticos, que obrigatoriamente passam pelos linfonodos. Entram alguns, chamados aferentes, e saem outros, os eferentes. Como os aferentes são muito mais numerosos que os eferentes e como a linfa fica correndo pelas inúmeras vias da medula e do córtex do linfonodo, há um retardo na corrente linfática.

As quatro primeiras figuras do subcapítulo “Drenagem linfática” do livro são desenhos de linfonodos da cabeça e do pescoço, unidos por linhas que representam os vasos.

Na primeira figura, repare bem a dificuldade que se tem de separar os linfonodos em grupos ou cadeias. Não é como os grupos axilar e inguinal que são densos, bem agrupados. Você consegue evidenciar facilmente os grupos submandibular e parotídeo. Com boa vontade você consegue distinguir uns quatro ou cinco nódulos do grupo cervical superficial, sobre o músculo esternocleidomastóideo. Os grupos submentoniano e cervical profundo são mais bem vistos nas duas figuras seguintes. Os linfonodos faciais foram representados, mas na realidade é difícil distinguir alguns porque são raros e pequenos. Nós já dissecamos (e acompanhamos a dissecção) a face de pelo menos 250 cadáveres e raramente deparamos com linfonodos faciais.

A quarta figura é muito ilustrativa, pois mostra os vasos linfáticos que têm início no dorso da língua, vista esquematicamente em um corte frontal, como aferentes primários de nódulos profundos, sendo que os paramedianos estão cruzando o plano mediano. Este fato tem que ser levado em conta na clínica. Você lerá, no texto, que outros grupos de linfonodos também recebem linfa diretamente da língua. Se os últimos são aferentes primários, o grupo cervical profundoserá secundário ou terciário porque a linfa da língua sempre passa por eles. A terceira figura ajuda a entender isso. A última frase da explicação sobre "Linfonodos submentonianos" ajudará mais ainda.

A propósito, os submentonianos drenam a linfa da área próxima. Se você colocar a polpa do dedo polegar em contato com o triângulo submentoniano e o indicador em cima da carúncula sublingual, estará enlaçando o território abrangido por eles.

Em condições normais é difícil sentir, pela palpação digital, os linfonodos submentonianos, mas é muito fácil localizar os submandibulares. Peça ao colega (ou a você mesmo) para fletir a cabeça e ao mesmo tempo incliná-la um pouco para o lado, a fim de que a tensão da pele fique reduzida e os linfonodos mais soltos. Nessa posição, você toca e identifica os nódulos, com facilidade.

Chamamos a atenção para o quarto parágrafo do texto, referente aos "Linfonodos submandibulares" . Ele é muito direto e sumarizador. A partir dele, desdobre o assunto nas leituras seqüentes. É tendência do aprendiz ler e tentar reter (decorar) textos objetivos e resumidos como esse e dar por terminado o estudo. Isso não deve ser feito. Seria um estudo capenga, incompleto. Veja no parágrafo seguinte, por exemplo, que "alguns vasos da gengiva lingual inferior podem drenar diretamente em linfonodos cervicais profundos" , como uma ocorrência não usual. O resumo não entra em detalhes como esse, mas é um fato importante. Portanto, vá fundo; aproprie-se de todo o texto, sem deixar nada de lado. Se quiser guardar resumos, como aqueles dois ao final do subcapítulo, para de repente serem usados como base anatômica para o estudo teórico de outra disciplina ou para a prática clínica, tudo bem. Os linfonodos cervicais profundos acompanham um segmento grande da veia jugular interna, podendo ser reagrupados em um subgrupo superior (cujo representante principal é o linfonodo júgulo-digástrico) e outro inferior (o principal é o júgulo-omo-hióideo) A grande maioria fica escondida pelo músculo esternocleidomastóideo, daí a designação profundos. Essa localização infelizmente dificulta sua palpação.

Eles são responsáveis pela drenagem primária de algumas áreas da boca ou próximas a ela. Leia o quarto parágrafo do texto sobre "linfonodos cervicais profundos" e terá uma idéia resumida das suas áreas de drenagem. Leia agora o sétimo parágrafo, que menciona a importância dos dois grandes linfonodos desse grupo. Leu? Envolveu-se com o assunto? Então a partir desse momento leia o resto, incluindo os parágrafos de letra miúda, os quais são muito sugestivos e esclarecedores.

Finalmente, faça um resumo das drenagens linfáticas primárias e secundárias aos linfonodos submentonianos, submandibulares e cervicais profundos. Pode ser em texto corrido, quadro sinótico, esquema, desenho, o que você quiser criar. Depois compare com os dois quadros de “Resumo da drenagem linfática da face”, do livro. Uéh, por que não?! Você não quer ser um bom dentista?

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