ESTUDO DIRIGIDO SOBRE O SOBRE O SISTEMA ARTICULAR

ARTROLOGIA: ANATOMIA DAS GRANDES ARTICULAÇÕES DO CORPO

Este texto continua a série de abordagens de temas que integram o conteúdo mínimo indispensável do programa de ensino de Anatomia e encontra-se no Apêndice do livro “CRUZ RIZZOLO, R. & MADEIRA, M. C. Anatomia facial com fundamentos de anatomia geral. 5.ed., São Paulo: Sarvier, 2015” e no link “Saiba mais”, do site www.anatomiafacial.com, desenvolvido pelos mesmos autores do livro. Trata-se de uma técnica de estudo dirigido, que deve ser desenvolvida com muita reflexão e espírito crítico. Procure desenvolver a atividade com peças anatômicas à mão, se for possível. Deverão ser preparações das mais importantes articulações sinoviais. É aconselhável utilizar também um atlas de Anatomia.
As palavras que devem preencher os espaços, à guisa de perguntas, são mais ou menos conhecidas porque já foram ministradas aulas sobre o assunto. De qualquer forma, as respostas no final de cada descrição de articulação lhe dará formidável feedback, que caracterizará uma avaliação formativa.
As frases escritas com letras miúdas têm um significado de complementação e/ou aprofundamento. Em outras palavras: são importantes, mas não são fundamentais.

ARTICULAÇÕES DO MEMBRO SUPERIOR
Articulação do ombro (escapuloumeral)
- Uma vez conhecidos os detalhes dos ossos que compõem esta articulação, vamos à anatomia da totalidade dos elementos constituintes. Sua grande mobilidade é capaz de extensos movimentos de flexão, extensão, abdução, adução, rotação medial e e . A amplitude dos movimentos é aumentada pelas posições que a escápula adota ao rodar, por ação muscular, o que permite uma movimentação mais extensa do úmero.
A movimentação do braço para cima até o nível do plano horizontal sem a rotação da escápula é possível, mas na elevação além desse nível (acima da cabeça) é necessária a rotação da escápula, para elevar a cavidade glenoidal com o úmero. A frouxidão da cápsula articular ajuda a admitir essa grande amplitude de movimentos.
A articulação escapuloumeral não possui articulação com o tronco. É a clavícula que faz uma ponte entre o esterno e o da escápula, formando a articulação . Portanto, úmero e escápula ligam-se indiretamente ao tronco. Por este fator, a escápula é dificilmente lesada; a clavícula, que recebe a maior parte das forças que atuam sobre a cintura escapular, cumpre uma função de âncora.
A cavidade da escápula é rasa, mas a adaptação da cabeça do úmero a ela não é tão deficiente porque uma orla fibrocartilagínea, o chamado , fixa-se nos limites da cavidade e amplia sua profundidade. Neste momento é interessante interromper a leitura do texto e examinar detidamente a articulação preparada por dissecção. Examine uma cuja cápsula articular foi removida ou que tenha sido parcialmente seccionada e rebatida para ver seu interior, aquele espaço intitulado . Em seu interior, veja as lâminas de cartilagem que recobrem a cabeça do e a cavidade . Repare que, interposta às duas superfícies articulares não há disco, menisco ou ligamento . Note a altura e a largura do lábio glenoidal e o que sobrou da cápsula articular parcialmente removida. Se a área estiver bem aberta, poderá ser vista a porção tendínea da cabeça longa do músculo com sua inserção no tubérculo supraglenoidal.
Como em todas as articulações sinoviais, a cápsula articular é atapetada interiormente por um tecido fibroso, delgado, de nome membrana A comunicação do interior da articulação com compartimentos externos, cheios do mesmo líquido, oferece uma proteção hidráulica à articulação. No ombro, essas sinoviais, como são chamadas, são pródigas e se situam sob o acrômio, sob o processo coracoide, o músculo deltoide (bolsa subdeltóidea). Uma extensão da bolsa subacromial forma a bainha sinovial do tendão da cabeça longa do bíceps braquial. As bolsas sinoviais não podem ser distinguidas no cadáver formolizado porque suas paredes finas se colabam e se unem aos tecidos vizinhos tornando-se imperceptíveis.
A membrana sinovial se junta com a cápsula articular e, da mesma forma, também não pode ser distinguida, a não ser em cortes histológicos. Nos cadáveres de poucas horas as bolsas podem ser injetadas com massa, que as modela e preserva sua forma.
Escolha agora uma articulação com a cápsula articular em sua posição normal. Veja que ela se fixa na margem da cavidade glenoidal e estende-se para baixo da cabeça do úmero, próximo aos seus tubérculos maior e menor. Neste ponto, uma abertura na cápsula deixa passar para dentro da articulação o tendão da cabeça longa do bíceps braquial, o qual pressiona o úmero contra a escápula quando passa em um túnel formado pelo sulco intertubercular e o ligamento transverso do úmero, antes de penetrar na cavidade articular para se prender no tubérculo supraglenoidal. Não deixe de observar os ligamentos adjacentes; alguns se colocam à distância, unindo acrômio, processo coracoide e clavícula entre si e outros reforçam diretamente a cápsula articular e se fixam no úmero. A plena evidenciação destes últimos não é fácil porque eles se confundem com a própria cápsula.
Os ligamentos são: coracoumeral, e transverso do úmero. Se considerarmos que da articulação escapuloumeral também faz parte a articulação acromioclavicular, temos que acrescentar os ligamentos acromioclavicular e (trapezoide e conoide). Um último ligamento que une dois processos da escápula também deve ser relacionado porque ele forma um verdadeiro teto para a articulação do ombro, que ajuda a evitar que o úmero escape para cima: é o ligamento .
A propósito, o deslocamento do úmero para baixo é evitado pelo ligamento coracoumeral, além dos músculos supraespinal e deltoide. Realmente, a articulação é sujeita a luxações porque seus movimentos são muito livres, a adaptação escapuloumeral não é muito eficiente e seus ligamentos não são potentes. Para minimizar o problema, os tendões de quatro músculos curtos que se estendem da escápula à epífise proximal do úmero (supraespinal acima, infraespinal e redondo menor atrás e subescapular à frente), se fundem com a cápsula articular e formam uma bainha musculotendínea, conhecida como bainha rotadora ou , que ajuda a estabilizar a articulação, mantendo a cabeça do úmero em posição, e evita luxações.

Respostas (pela ordem de sequência): lateral, circundução, acrômio, esternoclavicular, glenoidal, lábio glenoidal, cavidade articular, úmero, glenoidal, intracapsular, bíceps braquial, sinovial, sinóvia, bolsas, glenoumerais, coracoclavicular, coracoacromial, manguito rotador

A articulação do cotovelo (umeroulnar e umerorradial) - Envolve três ossos: úmero, e , cuja perfeita adaptação entre eles permite realizar os movimentos de e extensão do antebraço sobre o braço, portanto, com apenas um eixo de movimento. A articulação do cotovelo possui como peculia¬ridade a realização de um segundo tipo de movimento, que é a da circunferência articular da cabeça do rádio na incisura da ulna, formando a articulação radiulnar proximal, a qual promove a pronação e a .
Diferentemente da articulação do ombro, a articulação do cotovelo não possui lábio glenoidal (porque não precisa dele), tendão muscular que a invada e nem ligamentos dispostos entre ossos próximos ou adjacentes, fora da articulação, como a clavícula, o processo coracoide e o acrômio. Mas, obviamente, possui os elementos comuns a todas as articulações sinoviais (cartilagem articular, sinóvia, etc.), sobre os quais não há necessidade de acrescentar mais nada.
Ao examinar a articulação por dentro, você verá as superfícies articulares que já conhece do estudo dos ossos. Apenas são recobertas por cartilagem, que não chegam a transformar suas formas básicas. Examine agora uma cápsula articular intacta com seu estrato (camada) fibroso interno, a membrana sinovial, que envolve as duas articulações. Isto porque forma uma única cavidade articular para a principal articulação do cotovelo e a articulação radiulnar proximal. Procure localizar a cabeça do rádio dentro de um anel densamente fibroso preso à incisura radial, o ligamento , que a mantém em posição. É envolvida por esse anel, que a prende, e onde a cabeça do rádio faz a sua rotação para promover a pronação e a supinação do antebraço.
Seus dois ligamentos, o colateral e o radial, reforçam a cápsula e ajudam a firmar a articulação do cotovelo. Fixam-se nos epicôndilos lateral e medial, no olécrano e no processo coronoide. O ligamento colateral ulnar, que vai do epicôndilo lateral do úmero à superfície lateral da ulna, liga-se também ao ligamento anular do rádio. Este não reforça a cápsula ou estabiliza a articulação; o que faz é proporcionar local que, ao se ajustar à cabeça do rádio, permite a livre rotação desta. O ligamento anular prende-se nas margens da incisura troclear da ulna.

Respostas (pela ordem de sequência): ulna, rádio, flexão, rotação, radial, supinação, anular do rádio, ulnar, colateral.

Teste seu conhecimento
Preencha as lacunas abaixo com as letras de A a E, de acordo com o seguinte código:
A – Asserção correta, razão correta, justificando a asserção
B – Asserção correta, razão correta, porém não justificando a asserção
C – Asserção correta, razão incorreta
D – Asserção incorreta, razão correta
E - Asserção e razão incorretas

() A cartilagem articular absorve choques e facilita a movimentação da articulação sinovial porque ela é nutrida e lubrificada pelo líquido sinovial.
() O líquido sinovial ajuda a cartilagem articular a diminuir atritos, absorver choques e a deslizar uma sobre a outra porque ele é formado e reabsorvido pela membrana sinovial.
() As superfícies ósseas da articulação sinovial normalmente não sofrem desgaste porque são recobertas por cartilagem (articular).
() A articulação do ombro, a escapuloumeral é triaxial porque tem três eixos de movimentação.
() Bolsas sinoviais ajudam a diminuir atrito de músculos, tendões e pele porque elas são formadas por cartilagem.

Escolha entre falso e verdadeiro e, se for falso, explique na frente o porquê:
- Na articulação do ombro a cavidade glenoide da escápula é profunda e por este motivo a adaptação da cabeça do úmero a ela é muito eficiente, o que dispensa uma orla fibrocartilagínea, o lábio glenoidal, para se fixar nos limites da cavidade e ampliar a sua profundidade.
falso: () verdadeiro: ()
- A articulação radioulnar é uniaxial porque seus únicos movimentos possíveis são os de flexão e extensão.
falso: () verdadeiro: ()
- A articulação do cotovelo (umeroulnar) também é uniaxial porque seus únicos movimentos possíveis são os de flexão e extensão.
falso: () verdadeiro: ()
- Além da flexão e extensão, a articulação do cotovelo possui como peculiaridade a realização de outro tipo de movimento, que é a rotação da circunferência articular da cabeça do rádio na incisura radial da ulna, o que promove a pronação e a supinação. A cabeça do rádio roda dentro de um anel densamente fibroso preso à incisura radial, o ligamento anular do rádio, que a mantém em posição. Constitui assim a articulação radioulnar proximal.
falso: () verdadeiro: ()
- Os dois ligamentos da articulação do cotovelo, o colateral ulnar e o colateral radial, reforçam a cápsula e ajudam a firmar a articulação. Fixam-se nos epicôndilos lateral e medial, no olécrano e no processo coronoide.
falso: () verdadeiro: ()

Múltipla escolha:
- A articulação escapuloumeral tem como característica:

() possui um tendão muscular em seu interior;
() não possui ligamento intracapsular ou interno;
() possui uma orla cartilagínea ligada à periferia da cavidade glenoide;
() todas as anteriores;
() nenhuma das anteriores.
- A articulação do ombro (escapuloumeral) é bastante sujeita a luxações porque:
() seus movimentos são muito presos;
() a adaptação da escápula no úmero não é muito eficiente;
() o lábio glenoidal impede uma boa adaptação;
() seus ligamentos são muito potentes;
() a rotação da escápula separa a cavidade glenoidal da cabeça do úmero.
- A articulação umeroulnar é: () uniaxial; () biaxial; () triaxial; () tetra-axial
- O ligamento coracoumeral pertence à articulação do: () quadril; () ombro; () joelho; () pé; () punho.

No quadro abaixo há seis erros propositais (dois em Características, dois em Ligamentos e dois em Função). Assinale-os com círculos, grifos ou marcador de texto:
Resumo das principais articulações sinoviais do corpo

Articulação Características Ligamentos Função
Do ombro (escapuloumeral) Cápsula frouxa,
Movimentos extremamente
livres, Lábio glenoidal e
Tendão do bíceps dentro da articulação

Claviculoumeral, Coracoacromial, Acromioumeral, Coracoclavicular e “Manguito rotador” Circundução (flexão,
extensão, adução, abdução)
Pronação Supinação
Do cotovelo
(umeroulnar, umerorradial e radioulnar proximal)
Menisco medial e lateral
Ligamentos intracapsulares
Colateral ulnar
Colateral radial
Flexão
Extensão
Pronação
Supinação

Respostas (pela ordem de sequência): B, B, A, A, C, falso, falso (explique por que é falso), verdadeiro, verdadeiro, verdadeiro, quarta, segunda, primeira, segunda, Menisco medial e lateral e Ligamentos intracapsulares, Claviculoumeral e Acromioumeral, Pronação e Supinação.

A articulação radioulnar distal e as articulações da mão foram estudadas superficialmente e aqui não serão revistas porque não constituem objetivos essenciais ou indispensáveis para a sequência do curso. O mesmo irá acontecer com a articulação sacroilíaca e com as articulações do tarso com o metatarso e deste com as falanges.

ARTICULAÇÕES DO MEMBRO INFERIOR
A articulação do quadril - É um primoroso encaixe recíproco entre uma esfera, a cabeça do fêmur, e uma esfera oca, o acetábulo. Comece a analisar a articulação pela superfície externa, notando a inserção da cápsula articular na margem circunferencial do acetábulo, de onde ela se estende até o colo do fêmur. Possivelmente você está examinando uma peça em que foram mantidos os ligamentos que se dispõem sobre a cápsula reforçando, porém ocultando-a. À frente, o ligamento mais superficial e mais forte dos três é o ligamento . Também em posição anterior, um ligamento mais fraco serve mais para reforçar a cápsula articular: é o . Semelhante a este, o reforça a parte posterior da cápsula. Esses três ligamentos externos ou extracapsulares se confundem, de tal modo que é difícil separá-los e até mesmo distingui-los bem.
Apresentam-se meio que torcidos e em certos movimentos, como aquele de se levantar a partir da posição sentada, se torcem mais ainda para evitar a hiperextensão da coxa.
Por ser uma articulação potente, que suporta e transmite muito peso e se movimenta bastante, sua cápsula é espessa e seu ligamento iliofemoral é possante.
Na frente, o tendão do iliopsoas cruza longitudinalmente a articulação do quadril de modo a lhe dar uma proteção mecânica.
Examine a partir de agora a cavidade articular em outra peça que permita vê-la totalmente. Vai lhe chamar a atenção uma margem fibrocartilagínea semelhante ao lábio glenoidal da articulação do ombro, e que aqui é conhecida por do acetábulo. Ele contribui para ajustar bem as duas superfícies articulares e para proporcionar mais estabilidade à articulação do quadril. Procure separar com cuidado/suavemente a cabeça do fêmur do acetábulo para expor um espesso ligamento intracapsular, o ligamento da . Ele se dispõe entre a incisura do acetábulo e a fóvea para reforçar mais ainda a estabilidade das duas superfícies articulares.
Ele é ativo quando a articulação se distende, isto é, quando o fêmur se afasta do acetábulo, principalmente em movimentos de adução. Nos demais movimentos, o ligamento da cabeça do fêmur permanece mais afrouxado.
Esse ligamento tem também a função de conduzir uma (ramo da obturatória) que nutre a cabeça do fêmur. Tal como o ombro, a articulação do quadril realiza a circundução, com menos, mas mesmo assim com grande amplitude de movimentos.

Respostas (pela ordem de sequência): iliofemoral, ligamento pubofemoral, ligamento isquiofemoral, lábio, cabeça do fêmur, da cabeça do fêmur, artéria.

A articulação do joelho - Difere das anteriores por ser mais rica em elementos articulares. Dela faz parte um osso preso em um tendão que a protege e ajuda fechá-la; tem dois ligamentos extracapsulares longos e bem distintos e dois intracapsulares; possui duas placas cartilagíneas entre as superfícies articulares; maior quantidade de tecido adiposo em seu interior. Deve ser por isso que tem sido considerada “complicada” e “complexa”.
Se você tiver em mãos uma peça anatômica bem preparada, examine a cápsula articular e note que é mais delgada posteriormente e é incompleta anteriormente, substituída parcialmente pela patela e seu tendão. Esta condição está de acordo com seus movimentos de flexão e extensão. A maior espessura da cápsula, reforçada por ligamentos, fica de ambos os lados para evitar deslocamentos laterais e por não tolher seu tipo de movimento uniaxial. Identifique os mencionados ligamentos, que se dispõem entre o fêmur e a tíbia, de um lado, e a fíbula do outro. São os ligamentos colateral e . Repare que o primeiro tem forma de fita e é aderente à cápsula e o segundo é roliço (cilíndrico) e solto. A articulação do joelho apresenta outros ligamentos menos potentes, os , que são posteriores e ficam entre os músculos que cruzam a articulação. Pode-se considerar o tendão do músculo , entre a patela e a tuberosidade da tíbia, segmento este conhecido como ligamento da , mais um ligamento extracapsular da articulação do joelho.
Na mecânica do joelho, a patela é ativa: desempenha um papel durante o final da extensão ao manter o ligamento da patela distanciado do eixo da tíbia e, desta forma, aumenta o braço de alavanca ou o momento de força da tração do quadríceps femoral, melhorando a eficiência.
Na parte posterior, possantes músculos também ajudam na estabilização da articulação: são os músculos posteriores da coxa e, principalmente, as duas cabeças do gastrocnêmio, que têm origem nos côndilos do fêmur.
O pequeno músculo poplíteo, com origem parte no côndilo lateral do fêmur e parte no menisco lateral insere-se na tíbia. A emergência de sua ligação com o menisco se faz por uma fissura da cápsula, que é reforçada por um dos ligamentos poplíteos, o poplíteo arqueado, que é um reforço posterior da cápsula e que vai do fêmur à fíbula.
Os movimentos realizados são de flexão e extensão, mas uma pequena rotação axial do fêmur é detectada no final do grande movimento de extensão, diz-se, para “travar” a articulação.
Olhando uma articulação aberta com seus elementos internos expostos, você confirmará a forma arredondada dos côndilos do fêmur e as formas achatadas dos côndilos da tíbia, conforme estudou em osteologia. O revestimento cartilagíneo dessas superfícies articular não muda sua forma. A relação anatômica incongruente ou desarmônica entre fêmur e tíbia pede um corpo cartilagíneo interposto para regularizar ou tornar congruentes as superfícies articulares desses ossos. São os e lateral, que aprofundam a concavidade da superfície condilar da tíbia e não têm correspondentes em outra articulação.
Eles se fixam somente por suas margens externas, mais espessas, na tíbia e suas margens internas, muito mais delgadas, ficam soltas e, portanto, passíveis de se deslocarem dentro da cavidade articular. Realmente, os meniscos acompanham a movimentação dos ossos na flexão e na extensão. Ambos são suscetíveis de lesão, mas o medial é mais porque fica aderido à cápsula e ao ligamento colateral tibial que a cobre e essa fixação o impede de se deslocar para acompanhar movimentos rotatórios súbitos do joelho em flexão com a perna fixada.
O ligamento une os dois meniscos, pela frente, e o ligamento posterior também ajuda a fixar o menisco lateral, por trás. Outra particularidade da cavidade articular são os coxins que preenchem grande parte dela.
Por ser uma articulação volumosa (a maior de todas) e sujeita à incidência de forças mecânicas de grande intensidade, possui possantes reforços internos, que são os ligamentos e , assim chamados por que se cruzam em diagonal. O primeiro (anterior) distende-se mais durante a extensão e previne o deslocamento do fêmur para trás; o posterior fica esticado na flexão e evita o deslocamento do fêmur para frente ou da tíbia para trás.
Estudados esses elementos todos, resta relacionar as bolsas sinoviais da articulação do joelho. Comentários gerais sobre anatomia funcional delas foram feitos por ocasião do estudo da articulação do ombro. Então, vamos direto à localização e nomenclatura das bolsas sinoviais do joelho. Uma delas é a bolsa , resultado de uma ampla prega sinovial desenvolvida entre o tendão do músculo quadríceps e o fêmur. Nas lesões do joelho, o excesso de líquido da cavidade articular invade essa bolsa deixando-a visivelmente volumosa. A bolsa , menor, fica em nível inferior ao da patela e atrás do ligamento da patela e a bolsa pré-patelar situa-se logo à frente da patela.
Outras bolsas menores são posteriores, situadas sob os músculos gastrocnêmio, semimembranáceo e poplíteo.

Respostas (pela ordem de sequência): tibial, colateral fibular, poplíteos, quadríceps femoral, patela, meniscos medial, transverso, meniscofemoral, adiposos, cruzados anterior, posterior, suprapatelar, infrapatelar.

A articulação talocrural - Tem grande mobilidade e é a mais acometida por patologias. Ela recebe grande peso do corpo e o transfere parcialmente para as articulações sinoviais talocalcânea, talocalcaneanavicular e calcaneocubóidea.
O bom ajustamento do encaixe da tíbia sobre o tálus é facilitado pela presença dos maléolos, que são extensões ósseas colocadas de cada lado da articulação. O maléolo lateral, 1 cm mais longo que o medial, corresponde à epífise distal da fíbula, que desta forma acaba participando também da articulação. A união da fíbula com a tíbia nesse ponto forma a articulação (fibrosa, sindesmose) , reforçada por dois ligamentos, o e o posterior, e um ligamento interósseo, profundo. Para prender ainda mais a fíbula à tíbia ocorre a união das diáfises de ambos os ossos pela membrana . Esses ligamentos todos impedem a abertura da superfície articular pela desconexão dos ossos, quando o tálus é forçado entre os maléolos na sustentação do peso, como quando se cai do alto sobre os pés.
Preparações de peças anatômicas com motivos didáticos aumentarão sua noção da articulação talocrural. Sua cápsula é frouxa anterior e posteriormente, para facilitar os movimentos de flexão e e que ela promove. Nestas partes anterior e posterior estão presentes coxins adiposos e pregas sinoviais. Mas, vamos à análise das superfícies articulares cartilagíneas que cobrem os ossos. Veja, por exemplo, a face distal da tíbia, côncava, e os dois maléolos, ajustando-se sobre a do tálus. Veja também a articulação da cabeça do tálus com o osso . Em uma secção sagital pode-se ver o perfil desta articulação e, mais abaixo e atrás, a articulação e o ligamento talocalcâneo interósseo unindo os dois ossos.
Por fora, a cápsula articular é espessada, de ambos os lados pelo arranjo dos ligamentos externos sobre ela. Este reforço é importante, já que aí não há músculos (músculos cruzam a articulação apenas à frente e atrás). Os ligamentos são os seguintes: do lado medial, o , ou ligamento colateral medial formado pelas porções , e tibiotalar anterior e posterior. Do lado lateral, o ligamento que é a denominação coletiva dos ligamentos talofibular anterior e posterior e . Procure reconhecer os ligamentos mediais, que são maiores e mais espessos e tente reconhecer os laterais, que vão do tálus e do calcâneo à fíbula. Neste lado o maléolo da fíbula é mais longo que o medial, da tíbia.
Os movimentos realizados pela articulação talocrural são de flexão dorsal (dorsiflexão) e flexão plantar. Os movimentos de inversão e eversão são realizados abaixo do tálus entre ossos tarsais e neste caso o tálus move-se com a perna.

Respostas (pela ordem de sequência): tibiofibular, tibiofibular anterior, interóssea, dorsal, plantar, tróclea, navicular, talocalcânea, deltóideo, tibionavicular, tibiocalcânea, colateral lateral, calcaneofibular.

Teste seu conhecimento
Preencha as lacunas abaixo com as letras de A a E, de acordo com o seguinte código:
A – Asserção correta, razão correta, justificando a asserção
B – Asserção correta, razão correta, porém não justificando a asserção
C – Asserção correta, razão incorreta
D – Asserção incorreta, razão correta
E - Asserção e razão incorretas

() A articulação sinovial é diferente dos outros tipos de articulação porque possui uma cavidade (articular) preenchida por líquido.
() A membrana sinovial reveste externamente a cápsula articular porque ela também possui a função de reforçar a cápsula.
() Algumas articulações sinoviais têm discos ou meniscos porque suas superfícies articulares são discordantes e precisam ter melhor adaptação para distribuir a pressão mais uniformemente.
() Os ligamentos articulares extracapsulares são contráteis ou elásticos porque vão de um osso a outro para ajudar a manter a conexão e limitar movimentos.
() Abdução é um movimento contrário da adução porque afasta o membro inferior, por exemplo, do plano mediano do corpo.
() A articulação do quadril não realiza a circundução (somatório de todos os movimentos) porque ela consegue apenas se movimentar em flexão e extensão.

() A articulação do pé (talocrural) tem um bom ajustamento do encaixe da tíbia no tálus porque os maléolos lateral e medial e os ligamentos colateral lateral e deltoide promovem proteção e estabilidade à articulação do tornozelo e concorrem para evitar entorses.

No quadro abaixo há três erros propositais (um em Características, um em Ligamentos e o terceiro em Função). Assinale-os com círculos, grifos ou marcador de texto:
Resumo das principais articulações sinoviais do corpo
Articulação Características Ligamentos Função
Do quadril Ligamento intracapsular
Lábio do acetábulo
Iliofemoral
Pubofemoral Isquiofemoral
Da cabeça do fêmur
Circundução (flexão, extensão, adução, abdução), Rotação Pronação e Supinação
Do joelho Meniscos medial e lateral
Ligamentos intracapsulares
Colateral tibiofibular e Colateral femorofibular
Da patela
Transversal
Cruzados lateral e medial
Flexão
Extensão
Pequena rotação
Do pé
(talocrural)
Ligamento intracapsular
Sindesmose tibiofibular associada
Deltoide (tibionavicular, tibiocalcâneo e tibiotalar anterior e posterior)
Colateral lateral (talofibular anterior e posterior e calcaneofibular
Flexão
Extensão

Complete:
- O joelho possui ligamentos internos ou intracapsulares denominados .
- O ligamento iliofemoral, que é forte, e os demais ligamentos externos, o pubofemoral e o isquiofemoral, que são mais fracos, servem para reforçar o contorno da cápsula articular da articulação do
- O movimento de circundução (somatório de todos os movimentos) é realizado pela articulação do quadril e pela articulação do
- O ligamento deltoide pertence à articulação do

Escolha entre falso e verdadeiro e se for falso, explique na frente o porquê:
- A articulação do pé (talocrural) tem grande mobilidade e é a mais acometida por patologias. Ela recebe grande peso do corpo e o transfere parcialmente para as articulações sinoviais talocalcânea, talocalcaneanavicular e calcaneocubóidea.
falso: () verdadeiro: ()
- Para aperfeiçoar mais ainda o ajuste da cabeça do fêmur ao acetábulo (as duas superfícies articulares da articulação do quadril), a circunferência do acetábulo é equipada por uma margem fibrocartilagínea semelhante àquela da articulação do ombro, e que é chamada lábio do acetábulo.
falso: () verdadeiro: ()
- Os movimentos realizados pela articulação talocrural (tornozelo) são de adução e abdução. O movimento de rotação é realizado abaixo do tálus entre ossos tarsais.
falso: () verdadeiro: ()

Respostas (pela ordem de sequência): A, E, A, D, A, E, A, Pronação e Supinação (e faltam adução e abdução), os ligamentos do joelho (somente o da patela está certo), Ligamento intracapsular na articulação do pé, cruzado anterior e posterior, quadril, ombro, pé, verdadeiro, verdadeiro, falso (explique por que é falso).

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