Estudo dirigido sobre - NERVO TRIGÊMEO (2)

(tenha à mão o livro Anatomia Facial com Fundamentos de Anatomia Geral, 3 ª edição)

Achamos que a melhor maneira de iniciar a abordagem do nervo mandibular e seus ramos é desenhando uma hemimandíbula “transparente”, pelo lado medial ou lateral. A “transparência” significa que deverão ser mostrados o canal da mandíbula, as raízes de dentes, o forame mentoniano, o forame da mandíbula e os nervos intra-ósseos. Para que os ramos dentais e peridentais fiquem bem destacados, o desenho tem que ser grande. Não deixe de representar os nervos milo-hióideo, mentoniano, lingual e bucal. Compare depois seu(s) desenho(s) com os do livro.

O nervo milo-hióideo, que é mais motor que sensitivo, inerva os músculos milo-hióideo e ventre anterior do m. digástrico; as fibras sensitivas, que correspondem a 30% do total de suas fibras, integram o ramo terminal que inerva a pele da porção inferior do mento. Algumas vezes, uma ramificação penetra na mandíbula pelo forame retromentoniano inferior ou outro, podendo ou não participar da inervação da polpa de incisivos. Este fenômeno, da inervação suplementar, tem comprovação científica e importância clínica.

Foi também comprovado que o nervo lingual não envia ramos para o interior da mandíbula. Ele não tem nada a ver com a inervação de dentes, apesar de haver algumas especulações sobre essa possibilidade. Inerva somente língua, soalho da boca, mucosa alveolar e gengiva. Toda a gengiva mandibular do lado lingual, por meio de dois “tufos” de ramos, um anterior e outro posterior, que partem do nervo lingual no soalho da boca.

Prepare-se para uma afirmativa e uma pergunta. Afirmativa: para a exodontia de um dente superior, depois da anestesia terminal infiltrativa no lado vestibular, é preciso complementar com uma anestesia do lado lingual . Pergunta: e para a exodontia de um dente inferior, depois da anestesia do nervo do dente, é também necessário complementar com uma anestesia do lado lingual? Por que sim e/ou por que não? Escreva sua resposta abaixo e compare com a resposta dos autores.

Resposta
Se a anestesia do nervo do dente, o alveolar inferior, for feita ao nível do forame da mandíbula, fatalmente anestesiará também o nervo lingual que, nesse ponto, situa-se a seu lado. Isto dispensará a anestesia complementar de ramos do nervo lingual, no lado lingual. Se a anestesia do nervo alveolar inferior for feita através do forame mentoniano, o nervo lingual não será anestesiado. Nesse caso, uma terminal infiltrativa, na gengiva lingual do dente a ser extraído, deve ser providenciada.


Sobre o nervo alveolar inferior não há muito o que comentar. Lembra-se das nossas palavras no texto sobre artérias, quando comparamos a artéria alveolar inferior com o nervo de mesmo nome? Afirmamos que o nervo acompanha a artéria, portanto tem o mesmo trajeto, a mesma ramificação, a mesma terminologia, a mesma área de distribuição, a mesma terminação. Tudo igual, sem tirar nem pôr. Outra comparação: os ramos dentais e peridentais do alveolar inferior são praticamente “iguais” aos mesmos ramos dos nervos alveolares superiores. O resto você estudou na teoria e na prática para aprender e desenhou para confirmar o aprendizado. Não será preciso acrescentar mais nada. Você está preparado para responder ao testão final, que vem vindo aí.

Antes, porém, uma palavrinha sobre os ramos que inervam a mucosa alveolar e gengiva vestibular dos dentes inferiores. O nervo mentoniano é fácil. É o grande ramo intra-ósseo do alveolar inferior, que depois se torna extra-ósseo. Ao sair pelo forame mentoniano ele logo se divide em grande número de ramos, uns maiores outros bem fininhos. Pouquíssimos ramos vão para trás do forame mentoniano; quase todos vão para a frente. A área de maior inervação é a labial; vários ramos sobem até a parte vermelha do lábio inferior. A pele do mento recebe menos inervação. Os ramos gengivais são os mais profundos e os mais delgados. Correm para cima e para a frente junto à mucosa, com os mais longos deles alcançando a gengiva vestibular dos incisivos. Se o nervo alveolar inferior for bloqueado por meio de anestésico local, o nervo mentoniano estará automaticamente anestesiado. Qualquer que seja o local do bloqueio.

Com o nervo bucal acontece o contrário. Se o bloqueio for ao nível do forame da mandíbula, o bucal não será envolvido. Se for ao nível do forame mentoniano, aí então nem se fala. Pergunta. Para uma intervenção nos molares inferiores que requeira anestesia da gengiva vestibular, como se deve proceder? Escreva sua resposta abaixo e compare com a resposta dos autores.

Resposta
Há uma técnica de anestesia troncular do nervo alveolar inferior que inclui o nervo bucal. Mas, se somente o nervo alveolar inferior for bloqueado para aquela hipotética intervenção, deverá ser feita, obrigatoriamente, uma anestesia complementar, de preferência terminal infiltrativa, na mucosa vestibular da região dos molares inferiores. O nervo bucal é ramo direto do mandibular. Costuma sair em tronco comum com o temporal profundo anterior. Depois, em um longo percurso, cruza obliquamente, pelo lado medial, o processo coronóide com a inserção tendínea do temporal. Chega assim à bochecha, a qual inerva. Daí o seu nome (L. buca = bochecha). Tal qual o mentoniano, inerva pele e mucosa com seus ramos maiores e também manda delgados ramos para a mucosa alveolar e gengiva vestibular da região molar. Onde termina o território do mentoniano, começa o do bucal e vice-versa.


Muito bem. Se você já passou pelos estudos dirigidos do nervo trigêmeo 1 e 2, pode tentar responder os testes gerais sobre nervo trigêmeo (Nervo trigêmeo (3))

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