ESTUDO DIRIGIDO SOBRE - molares superiores

(tenha à mão o livro Anatomia do Dente)

Relacionar os conteúdos novos com os já conhecidos, formando uma ponte entre eles. O conteúdo novo tem sempre como base o antigo.

Não perguntar ao professor “o que é isto?” sem antes ter tentado obter você mesmo a resposta. Depois, é só confirmar com o professor se o resultado alcançado está correto


Este estudo prático só pode ser feito se você estiver com o livro Anatomia do Dente, 4ªedição,2005, e com alguns molares superiores naturais, macerados, à mão.

O primeiro molar superior (1MS) é trirradicular. A raiz lingual é reta, cônica, mais apartada das outras duas. Estas ficam do lado vestibular, próximas uma da outra, mas não ligadas entre si.

Pois bem, segure um 1MS pelas raízes, coroa para baixo, e fixe a vista na face vestibular. Compare o seu dente com os dentes das Figs. 2-22 e 2-50 e note o seguinte: 1º) o contorno da coroa é trapezoidal, com grande convergência das bordas mesial e distal para a cervical; 2º) a borda mesial é mais reta e mais alta e, conseqüentemente, a cúspide mésio-vestibular é a mais alta (além de ser mais volumosa), acompanhando assim aquela regra geral de “face mesial maior que a distal” (pág. 13); 3º) o colo é coarctado, porém muito mais alargado que nos dentes estreitos que você estudou até aqui, apresentando uma linha cervical quase reta e não mais arqueada.

As raízes vestibulares são aproximadamente paralelas, bem separadas uma da outra e ligeiramente inclinadas para a distal. Freqüentemente elas se mostram encurvadas, de tal maneira que os seus ápices se voltem um para o outro.

Olhando a primeira fileira de dentes da Fig. 2-50, você logo diferenciará o lado mesial do distal, de acordo com as características anatômicas mencionadas e identificará dente por dente, segundo o método de dois dígitos . Resultados na pág. 78.

A configuração do 2MS é semelhante ao do 1MS, mas são notórias duas grandes dessemelhanças: 1º) a cúspide mésio-lingual é muito maior que a disto-vestibular; 2º) as raízes vestibulares são muito próximas, quase unidas, paralelas e com acentuado desvio distal.

Constate isto não apenas nos seus dentes de estudo, mas também nas Figs. 2-24 e 2-50. Nesta última foto, veja a desproporção de tamanho entre as cúspides em todos os sete exemplares da fileira de baixo. Veja como as raízes são paralelas e inclinadas. Somente o 2º e o 6º dente não apresentam muita inclinação. Veja também que o espaço entre elas é pequeno e que no 3º e 6º dente quase há coalescência.

Atribua um número para cada um desses dentes e faça a conferência (pág. 78).

Vire seu(s) dente(s) 1MS para a face lingual para encontrar uma forma bem distinta. A cúspide mesial (mésio-lingual) obviamente é mais volumosa que a distal (disto-lingual), mas o sulco que as separa já não é retilíneo como na face vestibular. É curvilíneo porque ele começa na face vestibular em posição distalizada e avança mesialmente até alcançar o centro da face lingual.

Um tubérculo (de Carabelli), de tamanho variado, chama a atenção como um agregado da cúspide mésio-lingual.

A raiz lingual, reta, larga e alta, quase cobre as raízes vestibulares ao fundo; de tão larga, é sulcada longitudinalmente por uma depressão também larga.

Outro detalhe é a maior dimensão desta face lingual em relação à face vestibular, uma exceção à regra.

Ao observar os dentes da fileira de cima da Fig. 2-51, comprova-se esses detalhes todos. Cúspide mésio-lingual mais desenvolvida, sulco principal curvo, tubérculo de Carabelli bem evidente no 1º, 2º, 4º, 5º e 6º dentes, raiz lingual robusta e com depressão linear em forma de sulco bem visível no 1º e no 2º dente e face lingual maior que a vestibular.

Ao comparar as duas faces livres do 1MS, repare que na Fig. 2-50, uma pequena porção da lingual pode ser vista ao fundo. Na Fig. 2- 51, a lingual tapa toda a vestibular. É por isso que nós desenhamos o 1º dente da Fig. 2-24, visto pela vestibular, com um pequeno excesso ao fundo.

Chegou a hora da comparação com o 2MS. Comparando aprende-se melhor. A todo momento fazemos comparações nas descrições do livro. Veja, por exemplo, o quadro comparativo da pág. 68 que você irá consultar no final, para resumir e coroar o seu estudo.

Primeira particularidade do 2MS que chama a atenção: cúspides linguais de tamanhos desproporcionais. A disto-lingual é pequena e em razão disso o sulco que a separa da mésio-lingual não termina no centro da coroa como no 1MS; é deslocado para a distal. Às vezes, a cúspide nem se forma. Nem existe.

Estes arranjos determinam uma face lingual menor que a vestibular e, por esta razão, uma raiz lingual menos larga e sem o sulco longitudinal.

Examinando a fileira de baixo da Fig. 2-51 você comprovará tudo isso. Atente para o 2º, 5º e 6º dentes, nos quais falta a cúspide disto-lingual. Em seguida você verá como a face oclusal fica modificada em razão da ausência da cúspide (Fig. 2-52, 1º e 2º dentes da fileira de baixo).

Finalmente você deve divisar o contorno da face vestibular, ao fundo, na maioria desses sete dentes da Fig. 2-51 e aproveite para identificá-los.

As faces de contato são muito parecidas em ambos os molares. No entanto, o 2MS não possui tubérculo de Carabelli. A mesial é sempre maior (as faces livres convergem para a distal no sentido horizontal, conforme menção feita à pág. 9, Fig. 1-5). Na vista mesial dos dentes das Figs. 2-22 e 2- 26, a face mesial cobre toda a face distal, como seria de se esperar.

O interessante é que a raiz mésio-vestibular também cobre completamente a raiz disto-vestibular. Essas raízes, que são estreitas no sentido mésio-distal, se alargam no sentido vestíbulo-lingual. Principalmente no 1MS. De tão larga, a raiz mésio-vestibular do 1MS abriga dois canais. Leia sobre isso o texto “Molares superiores” à pág. 107 e veja a Fig. 4-2 à pág. 103.

Que tal? Está checando cada figura ou página indicada por nós? Está entendendo tudo direitinho? Se tem alguma dúvida ou não compreendeu algo, retome o texto, consulte o livro e verifique os dentes.

Vamos terminar este estudo com o exame da face oclusal. Naturalmente você já leu (e entendeu) o texto das págs. 50 a 52 e tem uma boa noção da disposição dos componentes anatômicos na face oclusal.

O contorno oclusal no 1MS é voltado para o “quadrado”, com a borda lingual ligeiramente maior que a vestibular, enquanto que no 2MS o contorno é rombóide, com a borda vestibular maior que a lingual.

O tubérculo de Carabelli, quando muito desenvolvido, altera o contorno acrescentando um ângulo agudo na união das bordas mesial e lingual (veja 3º e 4º dentes da Fig. 2-52). Em ambos os dentes a borda vestibular tem a mesma peculiaridade: a cúspide mésio-vestibular, por ser maior é mais proeminente, isto é , adianta-se mais vestibularmente do que a disto-vestibular. Na realidade, a maior cúspide do molar superior é a mésio-lingual porque avança muito distalmente em vista do reduzido tamanho da cúspide disto-lingual.

Com isso, toda a porção mesial da face oclusal é mais ampla que a porção distal: as cúspides mesiais são maiores, a crista marginal mesial também é, enfim, toda a face mesial é mais larga e mais alta.

Talvez por ser mais larga ela é também mais plana. Você consegue distinguir isso nas Figs. 2-23, 2-25 e 2-52? E nos seus dentes de estudo? Não são todos os exemplares que apresentam essa característica bem distinguível. Mas, com boa vontade e senso de observação você consegue ver e enxergar, como dissemos antes.

Vistos o contorno “quadrado”, o tubérculo de Carabelli, a cúspide disto-lingual de tamanho relativamente grande e a grande dimensão da borda lingual, que são descritores próprios do 1MS, falta ver um último elemento próprio desse dente. Trata-se da ponte de esmalte disposta entre as cúspides mésio-lingual e disto-vestibular. A definição de ponte de esmalte está na pág. 7 e também no Glossário.

As Figs. 2-23, 2-25 e 2-52 oferecem bons exemplos de ponte de esmalte. O 2MS não possui ponte de esmalte. Em vez disso, apresenta um sulco que vai da fosseta central à fosseta distal, dividindo ao meio alguma elevação que pretendesse passar por ponte de esmalte. No 6º dente da fileira de baixo da Fig. 2-52 houve desgaste da face oclusal, o suficiente para apagar o sulco, dando a falsa impressão de ponte de esmalte.

Termine este estudo dos molares superiores identificando os dentes das figuras mencionadas e checando suas respostas na página 78.

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