ESTUDO DIRIGIDO SOBRE - molares inferiores

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Preparar-se para as avaliações de modo a alcançar suficiência com competência e não apenas notas.

Reconhecer que o seu esforço, interesse e dedicação são mais importantes que a quantidade e a qualidade das aulas a que você assiste.


Os dois principais molares inferiores (1MI e 2MI) diferem dos superiores por apresentarem: 1º) apenas duas raízes; 2º) maior dimensão mésio-distal que lhes dá um contorno oclusal e vestibular alongado (retangular); 3º) face vestibular inclinada para a direção lingual; 4º) sulco vestíbulo-lingual completo; 5º) cinco cúspides no 1MI.

Estas são suas características principais. Vamos detalhá-las.

A face vestibular dos molares inferiores é inclinada para a lingual, mais ou menos como nos premolares inferiores. Esta disposição favorece o trespasse horizontal dos molares superiores na oclusão (suas cúspides vestibulares ultrapassam vestibularmente as cúspides vestibulares dos molares inferiores), conforme você verá no Capítulo 3.

Essa inclinação pode ser percebida na vista mesial dos dentes das Figs. 2-29 e 2-33.

Na vista oclusal dos dentes da Fig. 2-30 pode-se também notar que, devido à inclinação, uma porção maior da coroa dental fica aparente do lado vestibular e não do lado lingual

Agora fica fácil você distinguir a face vestibular de seus dentes-modelo.

- Ao examiná-la, comprove o que já foi citado: maior dimensão mésio-distal desta face do que sua dimensão ocluso-cervical; maior ainda no 1MI porque este tem três cúspides vestibulares enfileiradas e não apenas duas como o 2MI.
- Repare que a convergência das faces de contato é mais acentuada no 1MI em relação ao 2MI. O sulco mésio-vestibular do 1MI é maior e mais profundo que o disto-vestibular e termina abruptamente em fosseta.
- O sulco vestibular do 2MI termina da mesma forma. Sulcos e fossetas profundos são predispostos a cárie.
- Para terminar o exame da face vestibular observe a maior altura e volume da cúspide mésio-vestibular e a inclinação distal das raízes.

Todos esses detalhes podem ser vistos nos dentes da Fig. 2-53, sendo que cáries são mais facilmente detectadas nos 3º, 5º e 6º dentes da fileira de cima e nos 1º, 2º e 3º da fileira de baixo.

A identificação desses 14 dentes é de acerto obrigatório. Não há como errar. Se errar um dos dois últimos 2MI ainda vá lá! Se errar mais que isso, alguma coisa está errada com você!

A face lingual de ambos os molares em estudo é mais estreita que a vestibular e as cúspides mésio-lingual e disto-lingual são separadas por um sulco mais discreto em tamanho e em profundidade.

A face mesial é maior que a distal, como nos demais dentes, de tal modo que olhando por distal, parte da face mesial pode ser vista ao fundo. Esta maior dimensão também pode ser percebida por oclusal, que é a próxima face a ser analisada.

A face oclusal do 1MI é alongada no sentido mésio-distal. Seu contorno é caracterizado por dois aspectos: 1º) a borda mesial é maior e mais reta que a distal; 2º) a borda vestibular é maior e mais curva que a lingual.

O fato das faces vestibular e mesial serem maiores que suas oponentes corresponde aos “caracteres comuns a todos os dentes”, não sendo novidade, portanto. Face distal curva, também.

Mas, face vestibular bem encurvada e lingual quase reta é fato novo; não ocorre no contorno oclusal de todos os demais dentes. Talvez, um pouquinho do molar superior e é só.

As Figs. 2-30, 2-32 e 2-54 mostram esses dois aspectos muito bem. Somente o 2º 1MI da Fig. 2-30 não possui borda mesial bem marcada. O 6º dente, da Fig. 2-54, também não. Mas, o segmento de círculo, que é a borda vestibular, é reconhecido em todos os dentes das fotos.

Das cinco cúspides do 1MI, as mais volumosas são as duas mesiais, seguidas da disto-lingual, da vestibular mediana e da disto-vestibular, que é a menor de todas. Os sulcos que as separam formam desenhos de aspectos variados, o que faz variar também o número de fossetas da face oclusal. Geralmente são cinco, mas podem ser quatro.

As quatro cúspides do 2MI têm um arranjo constante: duas mesiais e duas distais separadas por um sulco vestíbulo-lingual reto; duas vestibulares e duas linguais separadas por um sulco mésio-distal reto, que cruza o primeiro formando ângulos retos.

Esse aspecto exatamente cruciforme raramente deixa de ocorrer, como é o caso do 5º dente da fileira inferior da Fig.2-54.

Outros aspectos do 2MI - O 2MI também é alongado mésio-distalmente como o 1MI, mas a face vestibular não é muito convexa ou encurvada e nem muito menor que a lingual. Quase não há diferenças entre as suas duas faces vestibular e lingual.

Quanto ao conhecido fato da face mesial ser mais larga e mais reta, apresenta muitas exceções no 2MI. Veja a dificuldade que se tem para diferenciar as bordas mesial e distal da face oclusal dos dentes da fileira de baixo das Figs. 2-30 e 2- 54. A rigor, bordas mesiais retilíneas podem ser vistas nos 2º, 3º e 4º dente e maiores que as bordas linguais somente nos 1º dente da Fig. 2-30 e 1º, 4º, 6º e 7º da Fig. 2-54.

No 2MI, até mesmo a diferença de volume das cúspides mesiais (maior) e distais (menor), no aspecto oclusal, não é muito evidente nesses dentes das fotos.

Em vista desses fatos, a tarefa de identificar um 2MI pode ser árdua. Felizmente, restam os aspectos inclinação da vestibular para a lingual e das raízes para a distal.

A propósito você reparou bem todos os detalhes dos dois 2MI da Fig. 2-30? Viu parte da raiz distal sobressaindo-se distalmente?

Acreditamos que você tenha examinado as figuras aludidas, mas tenha também examinado, o que é mais importante, os seus dentes de estudo. Para terminar, veja o quadro da pág. 70, que resume as diferenças mais marcantes entre o 1MI e o 2MI.

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