ESTUDO DIRIGIDO SOBRE - DENTES CANINOS

(tenha à mão o livro Anatomia do Dente)

A nossa proposta é permanecer estudando anatomia dental, na prática, seguindo o mesmo tipo de roteiro utilizado para o estudo dos incisivos. A referência bibliográfica básica continua sendo o Anatomia do Dente, 4ª edição, 2005. Quanto mais espécimes de caninos você puder usar neste estudo, melhor para você.

Reconstruir as aulas, recitar o que aprendeu (por exemplo, preparar e dar uma pequena aula em voz alta para uma classe imaginária), cristalizar (fazer algo) com as mãos aquilo que aprendeu ou está aprendendo (“o que eu ouço, eu esqueço; o que eu vejo, eu lembro; o que eu faço, eu sei”). É o aprendizado como resultado de uma atividade formadora em que se constrói algo, como na escultura dental, por exemplo.

Dente canino superior (CS) na mão! Coroa para cima, raiz para baixo.

Face vestibular com altura e largura mais ou menos equivalentes.

A borda incisal continua tendo este nome no canino, mas não é reta como no incisivo. É angulosa, com uma ponta no meio. Essa ponta é o vértice da cúspide e fica realmente bem no meio. O longo eixo do dente passa por ela. Passa também pelo ápice da raiz, o que significa dizer que o dente é bem retilíneo e que sua raiz não se encurva, ou se encurva pouco, para a distal.

Os limites da cúspide, vistos por vestibular, correspondem à aresta longitudinal, cujos segmentos mesial e distal não são iguais. O mesial é mais curto e menos inclinado.

Você está por dentro desses termos? Sabe o que significam, ou é melhor consultar o Glossário à pág. 119? Ou recordar o que é cúspide e aresta longitudinal na pág. 7?

A face vestibular é bastante convexa em todos os sentidos. No sentido horizontal essa convexidade é maior na metade mesial do que na metade distal.

Duvida? Então posicione o dente tal como você fez com os incisivos inferiores, quando olhou pelo aspecto incisal para procurar desvio do cíngulo. Localize a face vestibular ou o que dá para ver da face vestibular. Abstraia a metade mesial e a metade distal dessa face. Abstrair significa considerar separadamente. Certifique-se que o dente está em posição vertical e o seu olhar também (a prumo). A linha de visão tem que coincidir com o longo eixo do dente, a partir do vértice da cúspide. Note que a metade mesial é mais convexa e mais saliente, mais projetada para frente, do que a distal. Esta é mais recuada, menos proeminente. Enquanto que a mesial é mais "vestibularizada", a distal é mais "lingualizada".

Entendeu? Não? Então veja o CS da Fig. 2-3 (pág. 33). A metade da face vestibular (a de cima) à direita de quem olha é mais robusta e mais proeminente. Ela quase toca a linha superior da fotografia! Veja também a Fig. 2-7 (pág. 36) que mostra um canino inferior (CI) na mesma posição. Repare que a metade à direita de quem olha também é mais proeminente.

No CI também, por que não! Isso tem explicação, e você sabe. Só que está adormecida na sua memória. Vamos recapitular. Pág. 8: “direção da faces da coroa no sentido horizontal”. São seis linhas e meia. Leia.

Entendeu legal? Vai ficar mais legal se você passar os olhos na Fig. 1-5 logo abaixo e se detiver no segundo dente, que é um canino. Quer mais? Vá à página 13 e veja a coerência: "Face mesial maior que a distal" (leia da 4ª à 11ª linha).

O contorno da face vestibular do CI é distinto; tem um aspecto alongado com a altura superando a largura. Diz-se que a coroa do CI é alta e estreita, enquanto que a coroa do CS é baixa e larga.

Esse alongamento no CI faz com que as bordas mesial e distal convirjam menos para a cervical, isto é, apresentem uma tendência ao paralelismo, conforme se pode observar nas Figs. 2- 9 a 2-11 e na Fig. 2-41 da pág. 62.

Pronto, quando a gente chega nestas páginas da frente, com os dentes do Prof. Horácio, é que começa a ficar bom. Fica mais fácil fazer as comparações! Veja, por exemplo, o 3º, o 5º e o 7º dente da fileira de baixo. Suas bordas mesial e distal não são quase paralelas?

Fique sondando a Fig.2-41 mais tempo, para distinguir bem as diferenças entre o CS e o CI e entre os lados mesial e distal de ambos. Lembre-se da regra geral: face mesial mais alta, distal mais baixa; área de contato da mesial mais próxima de incisal e da distal mais próxima de cervical.

Está com dificuldade de determinar a área de contato em cada face do dente? Ora, isto é fácil. Volte à pág. 10 e examine a Fig. 1-7, com as áreas de contato marcadas com um retangulozinho. Para facilitar, vá direto nos caninos e localize o nível do retângulo no lado mesial e no lado distal. Anatomia é fácil, né?

Outra regrinha geral: borda mesial da face livre (vestibular ou lingual) mais reta e borda distal mais convexa, mais arredondada, mais “barriguda”, como no 4º dente de cima e no 2º de baixo.

Achamos que você já tem elementos suficientes para reconhecer o lado de cada dente da foto. Vamos lá? Para conferir, pág. 78.

Foi dito aqui que a raiz do CS costuma ser retilínea. E é mesmo. A raiz do CI é que se desvia mais para a distal. Entretanto, as Figs. 2-41 e 2-42 não mostram bem esse detalhe. Os dentes, que deveriam primar pela tipicidade tanto da coroa quanto da raiz, não estão bem representativos. O pior ainda é que na Fig.2-11 (pág. 40), o canino tem o terço apical da raiz voltado para a mesial e não para a distal! Isso acontece; é raro mas acontece.

Em parte, foi bom encontrar essa variação anatômica, para lembrar que a anatomia não é matematicamente correta e que a forma básica às vezes se distancia daquele normal estatístico onde se encaixam os típicos, os comuns, os normais.

Pela face lingual, vamos começar pela raiz, já que estávamos falando dela.

Menos larga que na face vestibular. Em termos de largura, a raiz do CI é mais estreita. Tanto é que os sulcos longitudinais são mais acentuados na raiz do CI do que na do CS. E tal como nos incisivos laterais inferiores, o sulco longitudinal distal é bem mais profundo que o mesial. Não aparece bem na Fig. 2-43 porque a tomada fotográfica foi pela face mesial.

Em alguns caninos inferiores o sulco é tão profundo que chega a dividir a raiz em duas, a partir do terço médio ou do terço apical. E é claro que o canino inferior birradicular irá possuir dois canais radiculares .

Outra variação para atrapalhar os procedimentos endodônticos, cirúrgicos e até periodônticos! E não pense que isto ocorre uma vez na vida e outra na morte! A prevalência é alta: 5,3%! Muitas vezes com disposição bilateral.

O dentista deve contar com a birradicularidade de antemão. Já começa radiografando com o cone do aparelho deslocado mais para distal ou para mesial a fim de tentar “descobrir” as possíveis raízes sobrepostas. Veja os dados na pág. 106 . Note que em 0,2% dos casos nem precisa ter duas raízes para ter dois canais (esses dados são nossos, pesquisa própria).

Continuando este estudo dirigido do canino pela face lingual, vamos à coroa. Tal como nos incisivos superiores e inferiores, também o CS é mais desenvolvido que o CI. Seu cíngulo é bem mais volumoso, o mesmo acontecendo com as cristas marginais. Freqüentemente, uma crista de disposição cérvico-incisal é notada entre o cíngulo e o vértice da cúspide. Aos seus lados duas pequenas depressões podem ocorrer.

Compare com o CI e constate a pobreza anatômica da sua face lingual. Cíngulo acanhado, cristas marginais idem, crista cérvico-incisal ausente. Destaca-se bem no centro da face, uma ampla, porém rasa, fossa lingual.

Como o contorno da face lingual é praticamente o mesmo da face vestibular, se bem que mais estreito, resulta que a identificação dos dentes da Fig. 2-42 não oferecerá dificuldades (solução na pág. 78).

Na última foto (Fig. 2-43), os caninos estão alinhados pela face mesial para que seja mostrado o seu perfil. Nele é demonstrável que o longo eixo da coroa se continua com o longo eixo da raiz, de tal modo que não há ângulo entre coroa e raiz (como nos premolares inferiores) e os extremos da coroa e da raiz ficam sobre esses eixos, deixando o dente reto. A dimensão vestíbulo-lingual do terço cervical da coroa tem que ser maior no CS devido ao enorme cíngulo que ele tem.

Mas veja: essa dimensão do terço cervical da raiz é quase a mesma; no CI também. Isto significa que o colo não é estreito ou é muito pouco.

Fazemos esta advertência porque há uma tendência,durante a escultura dental em cera, de se reproduzir um colo com depressão circular exagerada, deixando-o super constrito (coarctado).

Mais importante do que examinar as figuras indicadas, é examinar os dentes secos naturais. Se tiver poucos, peça emprestados mais alguns.

Aproveite para ver o quadro comparativo entre CS e CI na pág. 62, que é um resumo das diferenças anatômicas entre esses dois dentes.

©Copyright 2017 anatomiafacial Todos os direitos reservados