ESTUDO DIRIGIDO SOBRE O SOBRE ANATOMIA DO SISTEMA URINÁRIO

Se não for possível você realizar a atividade acompanhada de peças anatômicas, procure analisar figuras de atlas de Anatomia. Este estudo dirigido deve ser feito após as atividades normais de aprendizagem na sala de aula. Aqui você terá nova abordagem do assunto, com chances de recordação e avaliação formativa por meio de alguns testes ao final do texto.
Siga este estudo dirigido para completar sua formação em sistema urinário. Esperamos que você já tenha estudado o assunto, na teoria e na prática, e estará agora acrescentando algo mais ao seu conhecimento. Preste atenção nas questões discursivas e nos testes. Responda ao teste, assim que encontrá-lo, antes de buscar respaldo no livro. Confira depois a resposta, em seguida, no próprio texto.


É comum serem encontradas nos laboratórios de Anatomia preparações isoladas do sistema urinário, com todas as suas partes. Tenho visto algumas naturais, conservadas a seco e também em líquidos, e outras como modelos industrializados. São úteis para se ter uma noção ou ideia global desse sistema, seu tamanho e a associação de uma parte com outra, e também uma ideia particular de cada órgão. Depois, todos os órgãos, interconectados, devem ser observados no cadáver dissecado para que sejam conhecidas as posições e as relações de cada órgão. Com o abdome aberto pela frente, intestinos deslocados ou removidos, os rins podem ser localizados ao nível e de cada lado de T12 a L3, bem encostados na parede posterior do abdome. Sua imediata identificação é fácil quando o peritônio está seccionado nesse local; caso contrário, ele cobre os rins e dificulta a visão. Para conseguir uma boa visão é preciso que estômago, duodeno e pâncreas sejam removidos. Aí sim, ambos os rins podem ser bem observados, bem como a cápsula adiposa que os reveste, as glândulas suprarrenais (aderidas ao polo superior de cada rim), a aorta abdominal com suas artérias renais, as veias renais caminhando para a cava inferior e a parte abdominal dos ureteres. Agora, examinando um rim separado ou avulso, repare no seu formato achatado que irá lhe permitir reconhecer suas faces anterior e posterior, bem como sua margem lateral de curvatura maior (como no estômago) e a margem medial (de curvatura menor), no meio da qual aparece o hilo renal, uma fissura que dá passagem a vasos, nervos e ao ureter. Como o comprimento do rim (cerca de 11cm) é o dobro da largura, ficam evidentes duas extremidades ou polos (superior e inferior).Ainda com o rim em mãos, verifique seu revestimento externo, a cápsula fibrosa. Ela é bem aderente ao tecido renal, grudada mesmo. Se houver uma incisão em alguma porção dela, você poderá abri-la, ter noção de sua espessura e examinar o tecido subjacente, que é o córtex renal. Mas, o rim tem mais dois envoltórios, que poderão ser vistos no cadáver: a cápsula adiposa e mais externamente a fáscia renal, que fixa o rim à parede posterior do abdome.
Após ter examinado o órgão por fora, é hora de escolher um rim seccionado longitudinalmente (corte paralelo às faces) para reconhecer sua estrutura interna. O tecido mais periférico é o córtex renal, já citado, que na secção não tem mais que 1cm. Bem, se o órgão tem córtex deverá ter medula. Esta é formada por projeções do córtex, as colunas renais, que se aprofundam no rim dispostas entre estruturas piramidais, as pirâmides renais, que completam a formação da medula renal. O córtex e a medula renal, juntos, formam o parênquima renal, onde a atividade de filtração do sangue é realizada (o sangue no corpo é filtrado aproximadamente 60 vezes por dia). O néfron, formado por glomérulo e túbulos, corresponde à estrutura funcional. Seu mecanismo será estudado na Fisiologia e sua estrutura na Histologia, que se dedica a aspectos morfológicos microscópicos.
A diferença de coloração das pirâmides em relação ao córtex e às colunas renais, lhe permitirá identificar várias delas, com suas bases voltadas para o córtex e seus ápices, as papilas renais, que terminam no interior dos cálices renais menores, de número variável. Cada papila, aberta na ponta, desemboca em um cálice para verter aí dentro a urina resultante da filtragem realizada nos néfrons. Os cálices menores convergem, unindo-se uns com os outros para formar cálices maiores, cerca de três ou quatro. Estes, por sua vez, se unem para constituir a pelve renal, que é larga na confluência dos cálices e depois se estreita numa forma de funil até que sua extremidade se transforme no ureter, um tubo de aproximadamente 25 a 30 cm de comprimento, que atravessa parte da cavidade abdominal e pélvica para alcançar a bexiga urinária. De acordo com esse seu trajeto, ganhou dos anatomistas uma divisão em partes, com as denominações óbvias de parte abdominal e pélvica e uma terceira parte, bem menor, a intramural. Esta parte não fica exposta – ao contrário, percorre cerca de 2 cm no interior da parede da bexiga urinária antes de finalmente se abrir como o óstio do ureter. Desta forma, o ureter transporta através de movimentos peristálticos, pressão hidrostática e gravidade a urina produzida pelo rim para a bexiga urinária, onde fica armazenada até a sua expulsão. O armazenamento implica no enchimento da bexiga e consequente aumento de volume, com compressão de suas paredes. Com a bexiga repleta, a parte intramural do ureter fica comprimida e, portanto vedada, evitando assim um possível refluxo da urina.
È muito fácil seguir o caminho do ureter em um abdome dissecado. Ele passa sobre o músculo psoas, e já na cavidade pélvica cruza por cima a artéria e a veia ilíaca externa e depois cruza por baixo o ducto deferente e chega à bexiga urinária, que se localiza logo atrás da sínfise púbica. Esta é uma bolsa musculomembranosa mais ou menos esférica, forma esta que varia de acordo com o volume de urina que há no seu interior. Você precisa examinar uma bexiga isolada intacta e outra seccionada para ver seu interior e a espessura das paredes, a qual varia dependendo do grau de vacuidade. Uma bexiga vazia tem paredes espessas, mesmo no cadáver.
Bem, já vimos que na bexiga existem dois óstios para os ureteres despejarem a urina e, naturalmente deverá ter algum outro para que a urina armazenada seja despejada para fora. É ele o óstio interno da uretra, que se abre para levar a urina à uretra.
Para se observar bem a uretra é necessário dissecá-la cuidadosamente ou pelo menos seccioná-la transversal e/ou longitudinalmente. A secção mediana longitudinal no cadáver nem sempre apanha todo o trajeto da uretra, principalmente na mulher. É mais comum o corte mostrar apenas alguma(s) de suas porções e passar lateralmente a outras. Geralmente, a uretra fica bem exposta no bulbo do pênis porque neste local ela é bem ampla.
A uretra é um tubo musculomembranoso. Na mulher tem aproximadamente 4 cm de comprimento e 6mm de diâmetro. Seu caminho é oblíquo para frente e para baixo até se abrir no exterior pelo óstio externo da uretra, localizado entre o clitóris e o óstio da vagina.
A uretra masculina é umas cinco vezes maior em comprimento e serve alternadamente aos sistemas urinário e genital. A urina que ela veicula atravessa inicialmente a próstata -- é a parte prostática da uretra, onde se abrem dúctulos prostáticos com seu suco prostático e os dois ductos ejaculatórios com sêmen. Na sequência, a uretra atravessa o diafragma da pelve, em curto trajeto ao deixar a próstata e alcançar o bulbo do pênis-- é a parte membranácea da uretra. O bulbo do pênis já pertence à parte esponjosa da uretra, cujo nome deve-se ao fato de atravessar todo o corpo esponjoso do pênis numa extensão de 15 cm aproximadamente. Finalmente, abre-se para fora do corpo por meio do óstio externo da uretra localizado na glande do pênis.
Tal como acontece no caminho das fezes no canal anal, o curso da urina também depara com dois esfíncteres. O primeiro, na saída da bexiga, considerado interno, é de musculatura lisa e, portanto não pode ser controlado pelo indivíduo. O externo, na uretra, é de músculo estriado e, portanto de controle voluntário.

Teste (as respostas encontram-se na última página): Bem, você que já estudou este assunto e que agora está reestudando ou recordando, certamente será capaz de responder as seguintes questões.
1. Faça comentários sobre a formação de cálculos ou pedras renais e suas consequências
2. Por que o rim direito tem uma posição ligeiramente mais inferior que a do esquerdo?
3. Faça comentários sobre incontinência urinária e retenção urinária.
4. Qual é a capacidade em mililitros da bexiga urinária do adulto e a partir de que volume aproximado de urina estímulos nervosos desencadeiam a micção?

5. Instruções:
Preencha as lacunas abaixo com as letras de A a E, de acordo com o seguinte código:
A – Asserção correta, razão correta, justificando a asserção
B – Asserção correta, razão correta, porém não justificando a asserção
C – Asserção correta, razão incorreta
D – Asserção incorreta, razão correta
E - Asserção e razão incorretas

() A cápsula fibrosa do rim não fica aderida ao tecido renal porque entre eles há uma camada adiposa chamada cápsula adiposa.
() As pirâmides renais são separadas pelas colunas renais porque o córtex renal é a porção externa do rim, que envolve a medula renal
() Os cálices menores formam os cálices maiores porque os cálices maiores formam a pelve renal.
() A bexiga urinária comunica-se com o exterior porque ela possui o óstio do ureter que se continua com a uretra.
() O ducto ejaculatório é extraprostático porque ele é formado pela união dos ductos da glândula seminal e do ducto deferente.
() A primeira porção da uretra chama-se prostática porque ela atravessa o interior da próstata.

6. Relacione a coluna numerada da esquerda com a da direita, colocando nos parênteses os números correspondentes:

1. glândula suprarrenal () medula renal ?3
2. artéria renal () bexiga urinária ?5
3. pirâmide renal () próstata ?6
4. cálices renais maiores () polo superior do rim ?1
5. óstio do ureter () glande do pênis ?7
6. uretra () hilo renal ?2
7. óstio externo da uretra () parte intramural ?8
8. ureter () pelve renal ?4

7. Coloque a letra da 1ª coluna entre os parênteses da 2ª coluna, para a formar frases corretas. Exemplo: se você colocar a letra A entre os primeiros parênteses da 2ª coluna formará a frase “O ureter desemboca no cálice renal menor”, o que obviamente é errado.

A. O ureter () desemboca no cálice renal menor ?E
B. O hilo () é a extremidade proximal, dilatada, do ureter ?C
C. A pelve renal () regula o volume e purifica o sangue, removendo substâncias tóxicas. ?D
D. O rim () divide-se em partes abdominal, pélvica e intramural ?A
E. A papila renal ()dá passagem a vasos, nervos e ao ureter ?B
F. O cálice maior () localiza-se atrás da sínfise púbica ?G
G. A bexiga urinária () ocorre em numero de três ou quatro ?F
H. O parênquima renal () localiza-se no encontro com a bexiga urinária ?I
I. O óstio do ureter () é formado pelo córtex e medula renal ?H

8. Qual é o papel do rim e quais são as cápsulas que o envolvem?

9. Como é formado o ureter, qual é o seu trajeto, o que ele conduz e onde termina?

Respostas
1. Eventualmente, cristais de sais encontrados na urina podem se precipitar formando pedras (pedra nos rins ou cálculos* renais). Eles são geralmente formados por ácido úrico, oxalato de cálcio, fosfato de cálcio e outras substâncias. Podem se formar tanto nos cálices como na pelve renal, onde causam dor e eventualmente hematúria*. Podem também obstruir a luz dos ureteres e chegar à bexiga urinária, provocando nessa passagem dor intensa. As causas determinantes para a formação dos cálculos renais incluem o consumo excessivo de sais minerais na dieta, diminuição na quantidade de água, urina anormalmente ácida ou alcalina, distúrbios glandulares (fundamentalmente da glândula paratireoide) entre outros. Em casos graves, essas pedras devem ser removidas cirurgicamente caso medidas terapêuticas menos invasivas, como as ondas de choque, não as dissolvam.
2. O fígado, por ser um órgão enorme, ocupa grande espaço no lado direito do abdome, o que obriga o rim direito a ocupar uma posição ligeiramente mais inferior que a do esquerdo. O órgão que ocupa posição semelhante à do fígado, no lado esquerdo, é o baço, de reduzido tamanho.
3. A falta de controle voluntário da micção é denominada incontinência urinária. Ela é normal na criança de até aproximadamente dois anos de idade. No adulto pode ocorrer durante o sono ou como consequência de lesões na medula espinal, doenças da bexiga urinária ou alterações dos esfíncteres que controlam a passagem entre a bexiga e a uretra.
A retenção urinária (incapacidade ou dificuldade na micção) pode ocorrer em virtude de obstruções na uretra. Estas têm causas variadas, entre elas a contração de sua musculatura e a hipertrofia da próstata, órgão que é atravessado pela porção inicial da uretra.
4. Em situações normais, pode conter, no adulto, entre 700 e 800 ml de urina, ou mais que isso quando a urina é retida por muito tempo. Mas quando sua capacidade atinge uns 400 ml, receptores captam a distensão em sua parede e através de reflexos espinais desencadeiam a micção. A partir do segundo ano de vida esse reflexo pode ser controlado de forma cons¬ciente, o que permite efetuar a micção no momento oportuno.
5. E, B, B, C, D, A
6. 3, 5, 6, 1, 7, 2, 8, 4
7. E, C, D, A, B, G, F, I, H
8. Consulte o livro
9. Consulte o livro

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