Miguel Carlos Madeira

Nasci em Bebedouro, SP, sou casado com Carolina Madeira e temos dois filhos e quatro netos.

Formado em Odontologia, pela Faculdade de Odontologia de Araraquara, Unesp, passei a lecionar Anatomia na Odonto de Araçatuba, em 1962.

Minha formação em Anatomia é deficiente. Não fiz um curso formal de pós-graduação. O que aprendi foi por conta própria. Li as grandes obras clássicas e publicações esparsas da escola anatômica europeia, adotei uma postura de perscrutar sempre e de esquadrinhar os variados aspectos da morfologia. Dissequei muito e estudei anatomia odontológica bastante, bastante.

Na época em que comecei não havia cursos formais de pós-graduação. Quem quisesse estudar deveria pleitear os chamados estágios e depois preparar suas teses de doutoramento, que defenderiam em suas faculdades de origem. Era o chamado “doutorado biônico”.

Em 1964, meu chefe, Dr. Enyr Arcieri, me liberou para um estágio de alguns meses na antiga Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu, sob a orientação do Dr. Nicanor Letti, tendo ao lado o Dr. Neivo Zorzetto que o sucederia depois. Dali, dei um pulo até São Paulo para novo estágio, mais demorado, na antiga Escola Paulista de Medicina, sob a orientação do Dr. Renato Locchi, tendo ao lado o Dr. José Carlos Prates que o sucederia depois. De lá, saí com a tese pronta.

Em 1967, já doutor, trabalhei ao lado do Dr. Eugênio Zerlotti, o qual me propôs um programa de estudo e pesquisa de um ano, na Universidade de Illinois, Chicago, que ele conhecia bem.

De volta para Araçatuba, assumi a responsabilidade pela disciplina de Anatomia, tendo como colegas o Jorge Bernaba e o Ii-sei Watanabe. Depois vieram, cronologicamente, o Américo de Oliveira, o Ariovaldo Martins, o Roelf Cruz e o Paulo Botacin .

Na falta de cursos formais de pós-graduação, cuidei do aprimoramento profissional da maneira própria de um autodidata. Tanto na pesquisa, quanto no ensino. Acho que me saí melhor no ensino. Cheguei até a lecionar Didática do Ensino Superior em cursos de pós graduação. Até hoje dou palestras sobre educação e participo de entidades que zelam pelo ensino de qualidade, como é o caso da Sociedade Brasileira de Anatomia e da Associação Brasileira de Ensino Odontológico (Abeno), de cuja Comissão de Ensino faço parte.

No setor de pesquisa, publiquei pouco mais de uma centena de trabalhos no Brasil e no exterior, que tiveram modesta repercussão, e orientei alguns mestrados e doutorados, sem ter alcançado grande notoriedade.

Fui professor convidado de graduação e pós nos campi de Botucatu e São José dos Campos, Unesp. Ainda dentro da Unesp, onde fiz toda a minha carreira até a aposentadoria em dezembro de 1992, tenho a destacar meus dois anos de assessoria à Pró-Reitoria de Graduação, levado pelas mãos do colega A. César Perri de Carvalho.

A partir de fevereiro de 1993, iniciei uma nova carreira, agora no ensino privado. Fui inicialmente “desaposentado” pela Faculdade de Odontologia de Lins, Unimep, e depois pelos cursos de Fisioterapia, Enfermagem e Terapia Ocupacional (Unisalesiano, em Lins), para lecionar Anatomia. Em seguida fui convidado para responder pela Anatomia da Educação Física do Unitoledo, Araçatuba, e da Odontologia da Funec, de Santa Fé do Sul.

Lecionei também na Unipar, nos Campi de Umuarama e Cascavel, PR, durante oito anos e na Univag, Várzea Grande, MT, por quase sete anos.

Mantenho constante intercâmbio com colegas estudiosos que, mesmo sem querer, exigem de mim e acabam me impulsionando. Com eles, estou sempre aprendendo aspectos diversos de anatomia, tecnologia educacional, utilização de equipamentos, relacionamento humano, etc. Meus interlocutores principais são o Horácio Faig Leite, o Paulo Caria e o Roelf Cruz Rizzolo.

Do Roelf sou sócio na produção de livros, CD, site e, naturalmente, isto torna a nossa relação mais constante e aprofundada.

Do alto dos meus 77 anos, aconselho os mais novos (e os mais velhos também) a aprender e se desenvolver sempre, com ética e sensatez. Não perder nunca a oportunidade inteligente de acrescentar mais conhecimento e sabedoria à própria vida, para uma melhor compreensão d o seu valor, possibilidades e limites. Este é um bem inalienável do homem! Que os ladrões não minam e não roubam.

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